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Responsabilidade social: uma questão de sobrevivência

*Artigo produzido por Bruna Ribeiro, cofundadora da 3 é Par, publicado originalmente no Anuário IEL 200 Maiores e Melhores - 2019



O conceito de responsabilidade social tem um longo histórico. É possível encontrar evidências sobre o tema durante décadas. Entretanto, nos últimos anos, as discussões e preocupações relativas à responsabilidade social têm ocupado uma posição de destaque na agenda corporativa.


Transformações econômicas, políticas, culturais e sociais estão demandando novos modelos de relacionamento entre as organizações e a sociedade. São muitos desafios, tanto no presente quanto no futuro e, nesse contexto, agir de modo socialmente responsável deixou de ser uma escolha por parte das empresas para ser uma questão de sobrevivência.


Conceitualmente, é importante destacar que a responsabilidade social está relacionada à ética e à transparência, e se refere a uma postura de condução dos negócios. É, portanto, muito mais do que simplesmente realizar ações pontuais ou de cunho assistencial. É um conceito que deve estar presente nas decisões cotidianas e na estratégia da organização, de modo a considerar seu território de atuação, seus impactos sociais, ambientais e, junto a isso, o futuro dos próprios negócios.


Embora possa assumir formas diferentes, há um consenso sobre a importância da responsabilidade social nas empresas. Investidores e clientes determinam cada vez mais que as empresas não gerem apenas lucro, mas também reduzam seu impacto negativo no mundo, seja por meio do corte de funções inadequadas da cadeia de suprimentos, da redução do desperdício ou da melhora nas práticas trabalhistas.


Os consumidores, por exemplo, também estão cada vez mais cientes do seu poder de influência social e começam a exigir mais responsabilidade das empresas no que se refere às questões socioambientais. Segundo a “Pesquisa Akatu 2018 – Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações”, 59% dos consumidores acreditam que as empresas deveriam fazer mais do que está nas leis e trazer mais benefícios para a sociedade.


Ainda segundo a pesquisa, entre as oito principais causas que mais mobilizam o consumidor a comprar um produto de determinada marca, cinco estão ligadas ao cuidado com pessoas: atuar no combate ao trabalho infantil; tratar funcionários da mesma forma, independentemente de raça, religião, sexo, identidade de gênero ou orientação sexual; investir em programas de contratação de pessoas com deficiência; contribuir para o bem-estar da comunidade onde está localizada; e oferecer boas condições de trabalho. Todas são questões diretamente relacionadas à responsabilidade social.


Agora se, por um lado, a sobrevivência das organizações está em risco quando não se tem a responsabilidade social integrada aos seus negócios, por outro, quando integrada, as oportunidades e ganhos são muito maiores.


Um programa bem planejado de responsabilidade social permite que a organização se valorize junto aos seus stakeholders (públicos), ganhando confiança e credibilidade, através de suas práticas. Também contribui para o aumento da vantagem competitiva; tomadas de decisões mais assertivas; geração de valor à companhia, com mais retorno dos seus investimentos em forma de benefícios sociais e financeiros; melhoria à sua reputação; engajamento de seus funcionários; dentre outros.


Finalmente, é válido ressaltar que este tema não é passageiro! Ele veio para desenvolver uma nova forma de se pensar e agir socialmente, assim como reorientar as premissas de se ter lucro. De forma prática, é fundamental que as indústrias integrem a responsabilidade social em seus negócios, assumindo este compromisso como objetivo estratégico, considerando especial atenção no capital humano, nas expectativas dos diversos stakeholders e na integração com os diferentes setores da sociedade, tanto com as organizações públicas quanto as organizações da sociedade civil.


Este é o caminho para que as empresas se tornem mais reconhecidas, perenes e consequentemente lucrativas, contribuindo para um país economicamente mais forte, socialmente justo e ambientalmente sustentável.


Bruna Ribeiro

Bruna Ribeiro é cofundadora e consultora da 3 é Par - Conexões Sustentáveis. Especialista em Relacionamento Institucional para projetos de sustentabilidade entre organizações privadas, públicas e não-governamentais. Comunicóloga, com ênfase em Relações Públicas, e MBA em Gestão da Comunicação Empresarial (Aberje) e especialização em Gestão da Sustentabilidade Corporativa pela Fundação Dom Cabral.




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